Entrevista – Fabio Spavieri

6 de abril de 2010 @ 06:24 · FESTAS

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Foi aos 14 anos que Fabio Spavieri montou uma equipe de som com os amigos na garagem de sua casa, em São Bernardo. Como acontece com muitos adolescentes, a relação com a música, para ele, tornou-se desde então algo vital e indissociável de seu próprio estilo de vida. Águas rolaram até que, na virada da década de 80 para 90, Spavieri definiu as bases variantes de seu estilo e acabou firmando-se como um dos nomes sempre em voga no cenário paulistano, crescendo e evoluindo com a própria estrutura que se formou em torno da dance music na metrópole.

Do gothic rock ao technopop, passando pelo industrial e com certa ênfase na house, mas sobretudo nos grooves, Spavieri está sempre aberto a coisas novas, mas é dentro dessa linha específica que ele ficou inconfundível. Não cabe aqui sair citando os lugares por onde ele já passou ou os top DJs com quem já dividiu cabine. Quem é da noite sabe que o cara se dá bem em qualquer pista, da Pacha ao Dama de Ferro, do D-Edge ao clima intimista do Bar Volt. Sensibilidade para contar agradáveis histórias musicais é sua maior qualidade, e é essa, certamente, a principal desenvoltura buscada por um DJ profissional.

Aproveitamos que Spavieri está com novos projetos rolando, como a festa Volta!, que ocupa o Volt todas as quartas, e uma iminente incursão como produtor, para bater um papo com ele sobre as novidades e saber sua opinião a respeito de outros assuntos. Confiram:

Qual foi a primeira discotecagem da sua vida da qual você se orgulhou e pensou, “essa é minha praia”?
Minha primeira chance para tocar foi proporcionada pelo irmao do DJ Magal, o Ronaldo (falecido), na Zoster de São Caetano do Sul. Mas o lugar onde “caiu a ficha” foi no Cais em São Paulo, lendária casa noturna, que funcionava onde hoje fica um dos teatros da cia Satyrus.

Seus sets, independente de serem rock ou house, sempre fincam-se na importância do groove, que é a alma de toda música bacana. Nessa linha, quais as tendências, faixas ou artistas surgidos nos últimos anos que te inspiram?
Sem dúvida, música sem groove, morre logo. Seja groove, melodia, boa linha de baixo, vocais … A música precisa ter algo para ser lembrada. Já na música eletrônica, house, techno e afins, não precisa ser tão óbvio, pode ser mais sutil, discreto. Da nova geração posso destacar o Tiga, Henrik Schwarz, Who Made Who, LCD Soundsystem, The Rapture, New Young Pony Club, Munk, Motor City Drum Ensemble e tantos outros. Dos clássicos e eternos, Depeche Mode, New Order, Joy Division, Lil Louis, Moroder e tantos outros. Sempre fogem alguns nomes, rs.

Depois de tantos anos discotecando por aí, alguma vez você já ficou de saco cheio da noite, da cena, das panelas, das tretas, das fofocas… E quis jogar a toalha? Ou a música está acima de todos os quiproquós mesmo?
Claro que não sou mais o mesmo de 16 anos atrás, mas ainda tenho pique para muitos outros. Não tenho mais tanta paciência para falta de profissionalismo, gente chata, prepotente e que não tem respeito, mas isso é para qualquer coisa na vida. As panelas sempre vão existir e cabe a você conquistar a confiança das pessoas ou montar o seu próprio clã e método de trabalho. Por isso diversas vezes na minha vida, organizei, produzi e toquei nas minhas festas. Mas não sou promoter, sou DJ. Apenas corro atrás do que acredito ser bom para os ouvidos das pessoas.

Você curte, ou acredita nessa coisa de revival dos anos 90, que vem sendo anunciado anualmente nos últimos tempos, mas nunca parece emplacar pra valer, como os 80, cujo apelo, trash ou não, parece ser imbatível sobre todas as gerações posteriores?
Os revivals são cíclicos e eternos. Algumas décadas marcaram mais, como a de 80. Em 90 a mesclagem de várias coisas, rock com eletrônica, house com hip hop e muitas outras coisas híbridas, fizeram com que não tivessemos uma grande definição de gêneros. Já em décadas passadas, tivemos o rock, jazz e blues nos anos 50/60; funk, disco, punk e rock progressivo em 70; a house, synth pop, rap e outros em 80. Na década de 90, tivemos apenas consolidações de gêneros que já vinham dos 80, como o techno.

Em termos práticos, qual a diferença de discotecar num bar como o Volt, que tem uma proposta mais parecida com uma pré-balada, no circuito mainstream, e no underground?

A proposta da Volta! no Volt é de música para ouvir e talvez dançar, regada a drinks e pratos servidos. Por isso convido pessoas não DJs, jornalistas, estilistas, modelos, fotógrafos, etc … Pessoas de bom gosto e que gostam de boa música. Já tocar em clubs é totalmente diferente. Eu digo que o “difícil” não é gostar de música, pesquisar, possuir conhecimento e cultura musical, mas sim “construir uma história” enquanto DJ, fazer as pessoas sentirem a sua proposta. DJ hoje em dia é aquele que proporciona emoções numa pista de dança.

Há alguma coisa que te irrite na música dance/pop/rock atual?
Sou bem eclético, mas Lady Gaga e Black Eyed Peas não me descem, rs.

Você já pensou em trilhar um caminho de trabalhos autorais, tipo produzir um álbum ou fazer tracks em parceria com alguém?
Claro! Será o próximo passo. Hoje em dia é uma extensão natural da carreira de DJ. Chega um tempo que você não aguenta mais tocar músicas que não são 100% a sua proposta. Então a saída é produzir. Tenho um codinome quando apresento sets de electro-rock, rock, remixes 80s, 90s e afins, chamado “Dick Rock”. Este será o nome do meu primeiro projeto como produtor.

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